Quebra de grão é perda de dinheiro. E ao contrário do que muitos imaginam, o problema nem sempre está no regulagem da trilha — pode estar nas esteiras e correias transportadoras.
Neste post vamos mostrar como o sistema de transporte interno influencia diretamente a integridade do grão — e o que ajustar para reduzir as perdas.

Como a esteira quebra o grão
A esteira transportadora não deveria quebrar grão — mas pode, em certas condições:
- Velocidade excessiva gerando impacto na queda
- Perfis de borracha danificados criando pontos de pressão irregular
- Espaço entre esteira e estrutura causando cisalhamento do grão
- Acúmulo de material endurecido na superfície da esteira
O papel da velocidade no dano ao grão

Cada grão tem uma velocidade de impacto máxima antes de se partir. Soja, milho e arroz têm limites diferentes.
Quando a esteira opera acima da velocidade ideal, o grão que cai sobre ela ou é conduzido por ela sofre impacto excessivo.
Velocidade ideal para soja: entre 2 e 3 m/s nas esteiras transportadoras.
Velocidade ideal para milho: um pouco mais tolerante, mas elevadas velocidades ainda causam danos.
💡 Velocidade de colheita e velocidade das esteiras precisam estar calibradas juntas. Um não funciona bem sem o outro.
O estado da superfície da esteira importa
Uma esteira em bom estado tem superfície uniforme e macia. À medida que desgasta:
- Aparecem pontos rígidos que impactam o grão
- Perfis irregulares criam zonas de pressão
- Material acumulado e endurecido age como abrasivo
A inspeção regular da superfície da esteira, especialmente no início da safra, previne esse tipo de dano.
O problema das quedas livres
Um fator frequentemente ignorado: a altura de queda do grão de uma correia para outra, ou da correia para o grão na caçamba.
Quedas de mais de 40 cm aumentam significativamente a taxa de quebra, especialmente em grãos mais frágeis como soja e arroz.
Soluções:
- Reduzir a altura de queda com defletores
- Ajustar ângulo de saída da esteira
- Calibrar velocidade de forma que o grão chegue mais suave
Como diagnosticar se a esteira é a causa

Teste simples de campo:
- Colete uma amostra de grão antes do sistema de esteiras
- Colete outra amostra na saída
- Compare a taxa de grãos quebrados entre as duas amostras
Se a diferença for significativa (mais de 2%), o sistema de transporte está contribuindo para as perdas.
💡 Esse teste custa poucos minutos e pode revelar uma fonte de prejuízo que passa despercebida durante toda a safra.
Conclusão
A esteira transportadora é mais do que um sistema de movimentação — é parte da cadeia de qualidade do grão. Quando mal regulada ou desgastada, ela contribui silenciosamente para perdas que aparecem só na classificação da cooperativa. Vale a pena investigar.
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